Pacientes transplantados sofrem com falta de remédios

Falta de medicamentos para pacientes transplantados atinge sete estados, entre eles o Acre. O problema afeta 125 pessoas do estado, que precisam dos medicamentos para não perder o órgão transplantado. A secretaria de saúde promete compra emergencial, até que o Ministério da saúde reponha o estoque.

Um levantamento da Associação Brasileira de Transplantados constatou que em sete estados (Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Ceará, Maranhão e Acre) há falta de pelo menos um dos três medicamentos principais contra rejeição ao novo órgão, para pacientes transplantados: o micofenolato, o tacrolimo e o everolimo.

No Acre, 25 pacientes que receberam um novo rim estão há um mês sem o micofenolato. Ainda este ano já houve falta do tacrolimo. Mas há cerca de 100 pessoas que passaram por transplante e que por possuírem poucas unidades dos medicamentos, serão prejudicados, caso a rede pública de saúde não demore a repor o estoque.

Todos sabem que é difícil sensibilizar as pessoas para doar órgãos. E para quem consegue fazer um transplante, é como se fosse uma nova chance de vida. Mas essa conquista fica ameaçada quando falta a medicação adequada. Os 25 pacientes sem remédios têm urgência por que correm o risco de perder o rim que tanto lutaram pra ter e precisam voltar pra hemodiálise.

Os medicamentos são fornecidos pelo Ministério da saúde e a falta deles coloca as autoridades locais em alerta. Um adolescente saiu do estado para fazer transplante de rim em São Paulo teve que retornar para a hemodiálise.

“Essa medicação é pra manter o rim dele funcionando. Como ele foi diminuindo porque achava que estava melhor, acabou ficando sem medicação e voltou pra hemodiálise. Aí perde o rim, fica dependente da máquina de hemodiálise”, disse a nefrologista-chefe do setor de transplantes do Hospital das Clínicas do Acre, Jarine Nasserala.

Nesta segunda-feira, o presidente da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados, Vanderli Ferreira da Silva, recebeu informação de que podem chegar medicamentos com dosagem menor da que é indicada aos pacientes.

“Disseram que o Ministério da saúde vai enviar o medicamento de 180 ml que é o micofenolato, que vai substituir temporariamente o de 360 ml, que é a dosagem certa que os pacientes tomam. Mas o que foi combinado lá é que chegaria no máximo até quarta-feira, o de 360 ml que iriam pegar emprestado da secretaria estadual da Bahia. Mas não foi o que aconteceu. Disseram que até o final do mês chega o de 360 ml”, disse.

De acordo com a nefrologista-chefe do HC, o governo do estado prometeu compra emergencial, e também há uma inciativa de conseguir emprestado de Porto Velho 500 comprimidos.

“O governo tá bem empenhado em resolver. Inclusive é uma situação que foge do estado, porque é do Ministério da Saúde. Falei com assessoria do governador e ele ficou de fazer uma compra emergencial, para sanar essa urgência enquanto não chega o do Ministério da Saúde”, explicou Jarine Nasserala.

Os imunossupressores são caros e há mais de 20 anos o Ministério da Saúde compra e distribui os medicamentos gratuitamente. Quem faz a entrega aos pacientes são as Secretarias estaduais da Saúde.

Fonte: Gazeta.net

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