Ex-nadadoras denunciam abusos de presidente de Federação no Amazonas

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Onze ex-nadadoras denunciaram abusos ocorridos entre os anos de 2008 a 2017, por parte do presidente da Federação Amazonense de Desportos Aquáticos, Vitor Hugo Lopes Façanha, conhecido como “Botinho”.

Segundo reportagem da CNN, os abusos teriam acontecido com vítimas  que tinham entre 11 e 16 anos. Elas tiveram suas partes íntimas tocadas, sofreram tentativas de serem beijadas à força, eram assediadas com pedidos de fotos íntimas e até convites para irem à casa do treinador para fazerem sexo.

De acordo com as vítimas, não denunciaram os casos na época por medo do poder do treinador à  frente de uma federação e porque nenhuma delas imaginou que não era a única que estaria  sendo abusada.

Uma das vítimas, identificada apenas como Y, de 20 anos, conta que viu os assédios contra ela crescerem a ponto de ela não conseguir mais nadar e ter depressão. Desde 2018, a ex-nadadora registrou um Boletim de Ocorrência e processa o ex-técnico na justiça do Amazonas por perturbação de tranquilidade. Como ela tinha 17 anos, o caso corre em segredo de justiça na 15ª Vara do Juizado Especial Criminal.

“Como eu gostava de fazer aquilo que eu fazia, na época, eu aceitei ir para lá com ele, na instituição onde ele dava aula. O La Salle. De repente, ele aparentou ser um ótimo profissional, mas logo se passaram algumas semanas ele começou com as perguntas que, tipo assim, cada aluna se sentia constrangida.”

Até mesmo porque a gente esperava ir lá para receber um incentivo, um motivo de um professor e as perguntas eram: ‘Vamos ao cinema? Vamos andar de lancha? Quando você vai na minha casa?’. Eram esses tipos de perguntas. E, assim, quando eu estava de maiô, ele tentava várias vezes entrar na sala onde ficavam nossos materiais para ficar lá com a gente. Só que eu tentava sair fora. Não ficava com ele, junto com ele, porque eu tinha medo.” 

“Foi quando foi passando os limites a cada dia. Tipo assim, ele perguntando quando a gente podia namorar e eu sempre falava que não. E até então uma amiga minha pegou carona com ele e ali pra mim deu um basta, foi quando ela me falou que quando ela saiu do carro para ir para a casa dela, ele tocou na bunda dela. De lá, eu perdi a vontade de treinar, eu não fui mais pra nenhum clube, eu parei de fazer o que eu mais gostava por causa dele.”

“Então, foi quando eu resolvi falar para a minha mãe, que é a pessoa que eu mais confio na minha vida e foi quando a gente tomou uma iniciativa que era processá-lo, que isso não poderia ficar imune. E, na época, eu tinha uns 16 anos, eu era muito nova. Hoje em dia, eu tenho 20 anos e isso ainda está na justiça e é isso”. 

Outra ex-atleta, conta que os abusos eram tão fortes que ele já teria tentado até forçá-la a fazer sexo oral nele. A vítima tem 20 anos.

“Dos meus 12 aos 14 anos aconteceram várias coisas. Nós éramos todos bem novinhos. Teve uma época que ele trocou de carro, aí dava carona para todo mundo e, às vezes, até para as mães. Só que quando iam só as alunas, ele ficava com graça e aí pegava na perna, pegava no braço. E aí ele deixava todo mundo e me deixava por último. Quando ele me deixava, eu ficava meio tensa… Com 14 anos. Porque ele pegava nas minhas partes íntimas.”

“Uma vez ele me trancou no carro junto com ele, não queria que eu saísse. Ele pegou a minha mão e botou nas partes íntimas dele. Outra vez também, ele me empurrou assim (mexe a cabeça para baixo), para mim… Fazer sexo oral nele. Várias vezes ele tentou fazer alguma coisa”.

“Eu lembrei agora de outra vez que, a gente tinha uma academia, perto da piscina lá na Vila Olímpica. O pessoal malhava primeiro, aquecia e depois ia nadar. Nesse dia, eu cheguei bem atrasada, mas eu acredito que isso não acontecia só comigo. Eu fui malhar por último, aí ele entrou lá junto comigo, e aí ele me prendeu assim contra a parede.”

“Aí começou a pegar nas minhas partes íntimas e disse que eu era gostosa. Eu tinha 14 anos quando isso aconteceu. Eu fiquei com medo na hora, porque eu pensei que ele ia fechar a porta e falei que não e… Aí eu peguei e caí fora. Deu tempo de eu sair. Aí tá, esse foi até os meus 14 anos. Depois disso eu passei muito tempo sem ir. Eu passei uns 6 meses ou mais sem ir para a natação, porque eu fiquei assustada. Isso nunca tinha acontecido comigo. Eu pensava assim “se ele fizer isso de novo”… Sei lá, eu era uma menina virgem.”

Já I, atualmente com 21 anos, disse que aos 14, ele teria chegado a deitar em cima dela, durante um exercício, com a desculpa de que ela estaria fazendo errado e ele só teria se levantado quando um atleta entrou na sala e o flagrou.

“Antes de realmente acontecer, de fato, ele sempre brincava que eu tinha um corpão, que eu tinha um coxão. Se eu comentava que eu estava com fome, ele dizia que podia me emprestar um dinheiro e depois eu poderia pagar com outra coisa. Ele perguntava se eu não queria carona para casa, se eu não queria ir ajudar ele a pegar alguma coisa no carro. Eram brincadeiras inapropriadas ele ficava toda hora querendo abraçar e tentar beijar. Não era legal”. 

“Eu cheguei atrasada e aí ele mandou eu ir malhar. E eu fui, eu estava sozinha e comecei a fazer os exercícios e tinha um exercício que eu ficava com os braços, a mão presa e tinha que fazer um movimento lá e a perna estava presa. E aí na hora eu fazendo exercício, ele entrou. Só estava eu e ele e ele entrou e disse que eu tava fazendo exercício errado e aí eu rebati e disse que não estava. E aí ele foi e montou em mim, deitou, se debruçou em mim e me explicou como que era para fazer. Era exatamente o mesmo exercício. E aí ficou com o rosto assim no meu pescoço.”

“E assim foi super desconfortável, e eu na hora fiquei sem saber o que fazer. E vinham muitas coisas e ao mesmo tempo o corpo não reagia. Eu pedi para ele sair de cima e disse que eu já tinha entendido o exercício e ele falou que não que ele queria que eu fizesse o exercício para ele ter certeza, e aí eu fiz o exercício, falando que ele já podia sair e ele continuou ali. Durou uns cinco minutos, para mim foi quase uma hora e foi horrível. E graças a Deus um atleta entrou na hora e ele saiu rápido de cima. Aí , eu peguei as minhas coisas e saí. Eu inventei uma desculpa para os meus pais e nunca mais voltei.”

Procurado, Vitor Hugo negou as acusações, disse que teve apenas um episódio de “problema”com nadadora, que está correndo em segredo de justiça no Amazonas,

Sobre o processo contra ele movido por uma ex-nadadora na 15ª Vara do Juizado Especial Criminal do Tribunal de Justiça de Manaus, Façanha nega que assediasse a jovem. Segundo ele, a ex-atleta, na época, menor de idade, ia treinar com roupas que chamavam a atenção e incomodavam outros professores.

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