Deslizamento de terra em mina deixa mais de 160 mortos em Mianmar

RN7

Pelo menos 162 pessoas morreram nesta quinta-feira em um acidente na maior mina de jade do mundo, localizada no norte de Mianmar, caso que coloca sob holofotes as penosas condições de trabalho dos mineradores em uma indústria que movimenta enormes quantias de dinheiro e já protagonizou episódios de corrupção.

A tragédia ocorreu por volta das 8h (horário local; 22h30 de quarta-feira em Brasília), quando, em meio a uma forte chuva, um deslizamento soterrou um grupo de mineradores, informou o Corpo de Bombeiros de Mianmar em redes sociais.

“O número de mortos chega a 140 até o momento, com 40 feridos. As operações de resgate terminaram por hoje, mas serão retomadas amanhã. Esperamos encontrar muita gente debaixo daquela enorme quantidade de terra”, disse à Agência Efe o governador do distrito, Shwe Thein, antes da descoberta de mais 22 corpos.

As vítimas extraíam jade das encostas escavadas do vasto complexo de mineração em Hpakant, uma cidade remota no estado de Kachin. Ao longo do dia e na chuva torrencial, os bombeiros, com a ajuda de outros mineradores, chegaram para resgatar os corpos soterrados no barro.

Phoe Htoo, chefe de um grupo de voluntários que trabalham no terreno disse à Efe que “há um pedaço de terra perto do local do incidente que pode ruir a qualquer momento, por isso quanto mais as equipes de salvamento trabalham, mais os riscos aumentam”.

“Além disso, alguns corpos estão flutuando na água. Não podemos recolher esses corpos porque as condições do solo e da água são perigosas demais”, acrescentou.

PRECARIEDAD EN LAS MINAS

O número de mortes deste acidente está entre os mais elevados da história, mas esses acontecimentos são frequentes em Hpakant, onde os mineradores trabalham em condições extremamente precárias. Neste caso, o deslizamento ocorreu em cinco partes abandonadas, onde os mineradores informais tentam encontrar a grande pedra de jade que os tornará ricos.

Em abril do ano passado, pelo menos 54 pessoas morreram em um deslizamento de terra em outro ponto do complexo de Hpakant, localizado cerca de 800 quilômetros ao norte da capital, Naipyido.

As minas de jade, nas quais o acesso da imprensa estrangeira é proibido, se tornaram um ímã para milhares de birmaneses pobres de todo o país, mas na maioria dos casos os benefícios são pequenos e os riscos elevados.

Também há o uso frequente de drogas, como as metanfetaminas, que são produzidas em escala industrial no norte do país para resistir às duras condições de trabalho e com as quais os mineiros são por vezes pagos pelos empregadores e não com dinheiro, o que tem sido denunciado por organizações locais de direitos humanos há anos.

UM NEGÓCIO MULTIBILIONÁRIO.

Mianmar é o maior produtor mundial de jadeíta, uma variedade preciosa de jade que é extraída principalmente nas montanhas Kachin e é especialmente cobiçada na vizinha China, para onde vai a maior parte das exportações.

A maior parte da jade extraída e comercializada de Hpakant está no mercado clandestino, motivo pelo que não existem dados oficiais confiáveis. A ONG Global Witness revelou em 2015, após uma longa investigação, a escala de um negócio multibilionário do qual poucos se beneficiam.

Segundo a Global Witness, o valor total da produção de jade em Mianmar em 2014 foi de cerca de US$ 31 bilhões, o equivalente a 48% do produto interno bruto (PIB) oficial do país e 46 vezes superior às despesas totais do governo com a saúde.

Entre os beneficiários estavam organizações de guerrilha, senhores da guerra, traficantes de drogas, homens de negócios e líderes militares.

EFE

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