Entenda como 15 países em cinco continentes dominaram a pandemia

RN7

Quinze países, em cinco continentes, destacam-se por terem dominado a pandemia do novo coronavírus. São casos identificados pela empresa alemã Iunera, de análise de dados, como “um caminho bem-sucedido de recuperação”.

Desde que o Sars-Cov-2 deu os primeiros sinais, há sete meses, a doença imprimiu uma nova rotação ao planeta, com 8 milhões de infectados e 440 mil mortos.

A grande maioria adotou bloqueios rígidos ou recorreu a toques de recolher para achatar a curva da doença, sem sobrecarregar o sistema de saúde.

Leia abaixo como os 15 se livraram do novo coronavírus e estão encaram a pós-pandemia.

ÁFRICA — Tunísia, Marrocos e Chade

Clientes em mercado de Túnis, capital da Tunísia, em 4 de maio de 2020 — Foto: Fethi Belaid / AFP
Clientes em mercado de Túnis, capital da Tunísia, em 4 de maio de 2020 — Foto: Fethi Belaid / AFP

Após enfrentar três meses de toque de recolher, a Tunísia planeja reabrir suas fronteiras dentro de dez dias. Lojas, empresas, mesquitas, cafés e hotéis, que sustentam a vocação turística do país, equivalente a 10% do PIB, já funcionam normalmente.

O país recebeu elogios da OMS por implementar rastreamento e quarentena, quando o número de casos era inferior a 100. Ainda assim, com 1.125 doentes de Covid-19 e 49 mortos, o governo custou a declarar vitória sobre o coronavírus. O premiê Elyes Fakhfakh só o fez neste domingo, quando já não havia novos casos registrados.

O marroquino Daoui Mohammed, presidente da associação comunitária Anwal, posa para uma foto em Sale, no Marrocos. Daoui contribui e ajuda as autoridades a aumentar a conscientização sobre a nova pandemia de coronavírus entre os moradores — Foto:  Fadel Senna/AFP
O marroquino Daoui Mohammed, presidente da associação comunitária Anwal, posa para uma foto em Sale, no Marrocos. Daoui contribui e ajuda as autoridades a aumentar a conscientização sobre a nova pandemia de coronavírus entre os moradores — Foto: Fadel Senna/AFP

No Marrocos, o governo precisou combater o fluxo inverso da migração, barrando a entrada de quem voltava da Espanha, país duramente castigado pelo novo coronavírus. Embora criticada por organizações de direitos humanos, esta abordagem agressiva, que impediu a repatriação de seus cidadãos, permitiu ao país conter a propagação do vírus e manter-se com cerca de 9 mil casos e 200 mortos.

O fechamento prematuro das fronteiras marroquinas levou também em conta o sistema de saúde pública precário do país, que no ano passado enfrentou a demissão de mais de 300 médicos. A mais alta entidade religiosa do Marrocos, o Conselho Supremo de Ulemás, emitiu um decreto encerrando cultos em todas as mesquitas. Os marroquinos entraram em quarentena em 20 de março, submetidos a um toque de recolher entre 19h e 5h.

Outro exemplo listado é o do Chade, no centro-norte do continente, que conseguiu conter a propagação da pandemia, com 850 casos e 73 mortos. As restrições se assemelharam às dos vizinhos: declaração de estado de emergência sanitária, fechamento de fronteiras, toque de recolher, restrições de viagens internas e encerramento de comércio e escolas.

AMÉRICAS — Dominica, Barbados e Uruguai

Dominica não registrou mortos entre os 18 casos do novo coronavírus na população de 72 mil habitantes. Afetada há três anos pelo Furacão Maria, a pequena ilha do Caribe superou outro desafio. Foi declarada livre do Covid-19 por seu primeiro-ministro, Roosevelt Skerrit.

No Caribe Oriental, Barbados ainda tem poucos casos isolados, de um total de 96 infectados e sete mortos. As empresas reabriram nesta segunda-feira, seguidas por atividades esportivas, parques e praias. Eventos podem ter até 250 pessoas, mas o toque de recolher ainda vigora de sexta-feira a domingo, entre 22h e 5h.

Homem e menina passeiam pela Rambla, o calçadão da orla de Montevidéu — Foto: Eitan Abramovich/AFP
Homem e menina passeiam pela Rambla, o calçadão da orla de Montevidéu — Foto: Eitan Abramovich/AFP

Com apenas 848 doentes e 23 mortos, o Uruguai é apontado como modelo entre os países da América do Sul. Optou pela quarentena, mas sem impô-la de forma obrigatória a seus 3,5 milhões de habitantes.

A ameaça da pandemia pairou de imediato sobre o recém-empossado presidente conservador Luis Lacalle Pou. Ele apelou para o senso de responsabilidade dos uruguaios, suspendendo aulas e fechando fronteiras. Saía para trabalhar quem realmente precisava. Atualmente, o maior risco para o país vem do Brasil.

ÁSIA — Camboja, Tailândia e Japão

Pessoas fazem fila para entrar no shopping Siam Paragon, em Bangcoc, na Tailândia — Foto:  Mladen Antonov / AFP
Pessoas fazem fila para entrar no shopping Siam Paragon, em Bangcoc, na Tailândia — Foto: Mladen Antonov / AFP

O país foi incluído na lista da Iunera por ter agido com rapidez para conter a doença, que afetou 128 pessoas, todas recuperadas. Não houve quarentena obrigatória, mas as escolas permaneceram fechadas, assim como as fronteiras, internas e externas, causando impacto econômico ao país de 16 milhões de habitantes.

De acordo com a empresa de dados alemã, a Tailândia é atualmente um dos melhores países em recuperação da pandemia em todo o mundo e o primeiro na Ásia. O toque de recolher foi suspenso nesta segunda-feira, depois de 21 dias sem registrar casos. Máscaras são obrigatórias desde janeiro.

Escolas que têm até 120 alunos, cinemas, shows, museus e parques de diversão foram reabertos na Tailândia, que registrou 3.135 casos e 58 mortes. Em breve, o país retomará viagens para China, Japão, Laos, Mianmar, Camboja e Coreia do Sul entre outros.

Pessoas bebem em um ‘izakaya’, bar em estilo informal, no distrito Shinbashi, em Tóquio, no Japão, em 10 de junho — Foto: Charly Triballeau/AFP
Pessoas bebem em um ‘izakaya’, bar em estilo informal, no distrito Shinbashi, em Tóquio, no Japão, em 10 de junho — Foto: Charly Triballeau/AFP

Já o Japão — que teve 17.587 contaminados e 927 mortos — conseguiu controlar a doença e já se encontra na terceira e última fase da reabertura da economia. No início, o panorama parecia sombrio, mas o sistema de saúde, o rastreamento de doentes e hábitos de higiene já enraizados na população funcionaram de forma eficaz e ajudaram a conter o vírus no estágio inicial do surto.

EUROPA — Montenegro, Islândia e Croácia

Com 315 dos 326 infectados já recuperados, Montenegro suspendeu a exigência do uso de máscaras e autorizou a entrada de estrangeiros no país, que declarou-se livre da Covid-19 em 24 de maio, antes dos demais vizinhos do continente europeu.

Islândia foi, desde o início da pandemia, uma história de sucesso, registrou apenas 10 mortos. O país insular, de 360 mil habitantes, manteve o surto sob controle, sem necessidade de bloqueio rigoroso. Mas imprimiu velocidade na detecção da doença, com alto índice de testagens.

O país já recebe visitantes, há dez cabines de testes instaladas no aeroporto de Keflavik, o maior da Islândia, onde chegam diariamente oito voos da Europa.

Não se pode dizer que a doença foi erradicada no país — ainda há quatro casos ativos. A Croácia, por sua vez, aproxima-se rapidamente desta realidade. Atualmente, o país tem dois doentes internados e um total de 2.137 recuperados, com 107 vítimas.

OCEANIA — Fiji, Nova Zelândia e Austrália

Foto de 17 de abril de 2020 - Equipe médica em uma estação de testes de Covid-19 em Christchurch, na Nova Zelândia — Foto: AP Photo/Mark Baker, File
Foto de 17 de abril de 2020 – Equipe médica em uma estação de testes de Covid-19 em Christchurch, na Nova Zelândia — Foto: AP Photo/Mark Baker, File

Nova Zelândia é considerada outro modelo bem-sucedido. O governo da primeira-ministra trabalhista Jacinda Ardern impôs três meses de fortes restrições aos cinco milhões de habitantes. A flexibilização se deu em cinco fases — a última anunciada recentemente pela primeira-ministra. As fronteiras ainda estão fechadas a estrangeiros, mas o distanciamento social já não é necessário.

Apesar do pânico entre a população de 930 mil habitantes, o arquipélago de Fiji reafirmou sua condição paradisíaca na pandemia: 18 infectados, todos curados. No último dia 4, o país zerou os casos de Covid, conforme o premiê Frank Bainimarama anunciou pelas redes sociais, após 45 dias sem registrar doentes. A fórmula, segundo ele, combinou orações respondidas, trabalho duro e afirmação da ciência.

Desde o primeiro caso confirmado, no início de março, os australianos entraram em quarentena. Quem saía acompanhado era sujeito à multas. A saúde da população foi prioritária em relação à economia. Funcionou.

G1

0 0
Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleppy
Sleppy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %

Deixe uma resposta

Next Post

Deputados aprovam reivindicação de pré-candidato a prefeito de Rio Negro

O deputado Evander Vendramini […]