‘A nossa torcida é que continuemos sem nenhum caso da Covid-19’, diz prefeito de Envira

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Com quase 100% dos 62 municípios do Amazonas apresentando casos do novo coronavírus, apenas as cidades de Envira (a 1.207 quilômetros de Manaus) e Ipixuna (1.364 quilômetros), respectivamente, ainda não registraram nenhum caso da Covid-19 e são a última fronteira da pandemia. Até o momento, o Estado registrou 41.378 pessoas infectadas com o vírus incluindo Manaus e 59 cidades do interior de acordo com boletim da Fundação de Vigilância Sanitária (FVS), divulgado neste domingo 31.

Ivon Rates (Pros)

Na avaliação do prefeito de Envira, Ivon Rates (Pros), a distância com a capital, a suspensão das viagens fluviais e as medidas preventivas adotadas por ele, podem ser o diferencial que está “blindando” a sua cidade da pandemia.

“Desde quando apareceu o primeiro caso no Brasil nós tomamos à iniciativa de reunir todos os profissionais de saúde que aqui atuam na média e alta complexidade no hospital e atenção básica e passamos a discutir o problema no ponto de vista de prevenção, orientação a população e tratamentos futuros para os casos que chegássemos a ter”, afirmou.

Ivon Rates disse ainda que foi elaborado um plano de contingência com as medidas imediatas em relação a barreiras sanitárias de acesso a cidade seja pelo Acre ou pelo Amazonas, além da implantação de três postos de triagem e no hospital.

“Temos uma tenda instalada para triagens e se alguém identificado fosse diagnosticado com alguns sintomas do coronavírus seria encaminhado para um posto exclusivo para casos similares, mas até o momento ainda não temos nenhum caso confirmado”, pontuou.

Máscaras para a população

Entre outras medidas de prevenção, o prefeito cita o controle no aeroporto da cidade e nos portos onde não entra ninguém sem que seja preenchido um inquérito sanitário; E as pessoas com procedência de lugares onde o vírus já circulava ao chegarem a Envira entravam em quarentena.

“Estamos há dois meses implementando quarentena para quem vem de fora, além de fecharmos o aeroporto municipal pudendo pousar e decolar ali somente em casos de interesse público. Formamos equipes e treinamos para seguir regras para que o vírus não chegue”, explicou.

Ivon Rates afirmou que Envira faz fronteira com o Estado do Acre, vizinha dos municípios de Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Feijó e Tarauacá, onde existem casos confirmados do vírus que está circulando, além de Eirunepé no Amazonas, onde a doença chegou, o isolamento no município foi uma recomendação.

“Máscaras, nós passamos a determinar a obrigatoriedade quando foi possível para o município produzir e distribuir para cada cidadão que estamos acabando de concluir. Torcemos muito para não sejamos o único sem casos da doença. Temos Envira e Ipixuna e a nossa torcida é que continuemos sem nenhum caso da Covid-19”, pontuou.

Falta de infraestrutura

Mesmo com toda a metodologia implantada que vem dando certo até o momento, o prefeito Ivon Rates está preocupado que o vírus possa chegar a Envira.

“Na verdade para esse vírus e o seu combate uma vez instalado, não há preparação que dê conta. Porque não tem um padrão de comportamento da doença, um protocolo de tratamento. Nem um município até mesmo os próximos de Manaus e maiores não estavam prontos”, observou.

Ele citou as dificuldades de Envira pela distância com Manaus e o isolamento causado pela suspensão das viagens fluviais o que dificulta até na compra de equipamentos hospitalares para combate a Covid-19.  “Todo equipamento que nós adquiramos e a dificuldade do poder público conseguir equipamentos para hospitais dentro do combate ao coronavírus como chegaria ao Envira? Então imagine que isso é muito difícil”, disse.

“No entanto já tomamos uma decisão que qualquer cidadão que vier apresentar sintoma do coronavírus, confirmado ou não, já receberia em lugar exclusivo tratamento como se coronavírus fosse. Porque não podemos deixar agravar. E se está provado que a intervenção clínica medicamentosa no início da doença é bastante eficaz para evitar agravos, a gente tomou essa decisão, E para os casos graves nos não temos aqui médico intensivista, anestesiologista, respiradores mecânicos e UTI. Então fica tudo muito difícil”, lamentou.

O prefeito afirmou que as equipes de trabalho estão devidamente equipadas até onde foi possível conseguir os EPIs e estão tentando adquirir respiradores. “Não obstante a todos essas dificuldades abrimos seleção em todo o Brasil tentando conseguir médico clinico geral pra ampliar a equipe médica, intensivista e anestesiologista. Infelizmente não conseguimos esses médicos e estamos preocupados com essa situação. Não podemos agravar aqui porque não teremos como tratar com garantia”, concluiu.

Portal O Poder tentou entrar em contato com a prefeita de Ipixuna, Maria do Socorro (PSDB), mas até o fechamento desta edição as ligações não foram atendidas.

 

Augusto Costa, para O Poder

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