Sem casos de Covid-19, cidade isolada do Acre recebe 300 quilos de EPIs e materiais hospitalares

RN7

Mesmo estando entre as três cidades do Acre que ainda não registraram casos de Covid-19, o município de Jordão recebeu, neste sábado (16), cerca de 300 quilos de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e materiais médico-hospitalares. Os itens foram enviados pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesacre).

Os materiais vão desde álcool 70% a porta-agulhas e tesouras. Segundo o governo, os recursos são do estado e alguns materiais também foram enviados pelo Ministério da Saúde para atender aos municípios durante a pandemia da Covid-19.

Acre tem 1.867 casos confirmados de Covid-19, segundo último boletim divulgado pela Sesacre nesse sábado (16). Em todo o estado, 1.525 pessoas ainda aguardam o resultado de exames. Das 22 cidades, apenas Manoel Urbano, Jordão e Porto Walter ainda não registraram a doença. Já são 59 mortes pela doença.

“Muito importante receber esses materiais, porque nós aqui somos isolados, não está tendo voo de linha aqui para o Jordão e o estado trouxe esses materiais com avião próprio. Isso nos dá uma certa garantia de que nossos profissionais que estão atuando na linha de frente vão estar mais protegidos”, disse o secretário de saúde de Jordão, Antônio Carneiro.

29 pessoas em isolamento

Para tentar evitar casos de Covid-19, a prefeitura de Jordão reforçou as medidas de prevenção e determinou que quem chegar à cidade tem que cumprir quarentena em um abrigo por um período de 14 dias.

Desta forma, a cidade, que é uma das mais isoladas no Acre e que tem pouco mais de 8 mil habitantes, consegue monitorar melhor a entrada de pessoas. Chegar até Jordão só é possível por meio de barco ou avião de pequeno porte.

A medida começou a vigorar no último dia 5 de maio, e todas as pessoas que chegarem ao município, mesmo os moradores, devem ser encaminhadas para um dos quatro abrigos instalados em escolas e também no Centro de Referência da Assistência Social (Cras) da cidade.

Os abrigos têm, até este domingo (17), 29 pessoas em isolamento. O secretário explica que elas são colocadas em salas separadas para evitar contaminação.

“Estão 15 pessoas em uma escola, seis em outra, cinco pessoas no Cras e outras três na escola estadual. Está ficando uma pessoa por sala de acordo com o local de onde ela chegou. Quem chegou de Tarauacá fica separado de quem chegou de Cruzeiro ou de Rio Branco para não ter contato, por isso são quatro abrigos. Eles ficam por 14 dias, aí no 13º nós fazemos o teste rápido e se der negativo são liberados, até agora todos deram negativo, graças a Deus”, disse o secretário.

Carneiro afirmou ainda que cinco pessoas foram consideradas casos suspeitos da doença por terem tido contato com um caso positivo da cidade de Tarauacá. Porém os testes deram negativo. Segundo ele, essas notificações devem constar no boletim da Sesacre deste domingo.

Preocupação com indígenas

Para ter o controle das entradas, uma barreira sanitária foi montada no acesso à cidade, onde as pessoas passam por triagem e todas as embarcações são abordadas.

Em entrevista ao G1 no último dia 7 de maio, o prefeito do município, Elson Farias, disse que, de acordo com o último censo, da população do município, pelo menos 40% são indígenas, o que torna ainda mais preocupante a situação.

“Vale enfatizar é que Jordão não tem estrutura nenhuma para atender alguém que esteja com coronavírus. Nossa geografia é complicada, uma aeronave aterrizar para fazer um resgate com UTI área é na faixa de R$ 22 mil. A prefeitura não teria como atender. Temos uma população 40% de indígenas, que tem imunidade mais baixa e só nos resta tomar algumas atitudes”, afirmou.

Farias ressaltou que o município é de difícil acesso e que as mediadas estavam sendo adotadas com algumas flexibilizações, mas com casos na cidade de Tarauacá, precisou de medidas mais severas.

G1 – AC

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