Jornalista executado na fronteira era ameaçado e não esperava uma morte tão violenta: ‘Que não seja com tantos disparos de fuzil’

RN7

O jornalista Léo Veras, executado em casa com 12 tiros na noite desta quarta-feira (12) em Pedro Juan Caballero, cidade do Paraguai na fronteira com o Brasil, em Mato Grosso do Sul, já sabia que podia ser vítima de criminosos, mas esperava que a morte não fosse tão violenta.

A declaração foi dada em 2017, durante um documentário de lançamento do programa Tim Lopes, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Em dos trechos do vídeo Léo disse:

“Que não seja com tantos disparos de fuzil, porque aqui se o pistoleiro quer ter matar ele vem na sua porta, manda você abrir e vai te dar o disparo, espero que seja só de um disparo para não estragar tanto a pele”.

O presidente da associação, Marcelo Träsel, afirmou que o crime é motivo preocupação e será acompanhado.

“Estamos coletando as informações sobre o Léo, a morte de um comunicador é sempre motivo de preocupação e vamos cobrar das autoridades para que isso não fique impune”, comentou.

O promotor paraguaio Marco Amarilla, que trabalha nas investigações sobre a execução disse que o profissional ‘já sabia que iriam matá-lo’.

“Ele recebeu ameaças nesses últimos dias. Ele estava nervoso, estava inquieto, estava temeroso. Em uma conversa que manteve com sua esposa, ele se despediu, praticamente. Ele disse: “Amor, se cuida, cuida das crianças”. Praticamente se despede de sua família. Ou seja, já sabia que iriam matá-lo”, afirmou o promotor.

A Execução

Léo Veras é paraguaio e tem nacionalidade brasileira. Ele tinha um site de notícias em Ponta Porã, cidade que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, no Paraguai. O jornalista foi executado por pistoleiros na noite desta quarta-feira (12) na cidade paraguaia de Pedro Juan.

Léo Veras é bastante conhecido em Mato Grosso do Sul por seu trabalho. O site dele produzia notícias policiais da região da fronteira em português e espanhol. Frequentemente ele noticiava situações relacionadas ao tráfico de drogas.

De acordo com a Polícia Nacional do Paraguai, Léo foi atingido por cerca de 12 tiros de pistola 9 milímetros. Um dos disparos acertou a cabeça dele no momento em que ele tentou correr dos assassinos. O jornalista chegou a ser socorrido e encaminhado para um hospital particular da cidade paraguaia, mas não resistiu.

Segundo a ocorrência, Léo estava jantando com a família no quintal de sua casa. Por volta das 21 horas, dois pistoleiros encapuzados chegaram em uma caminhonete branca, entraram pelo portão que estava aberto e invadiram o local. Eles direcionaram os disparos contra o jornalista e foram atrás dele quando Veras tentou correr para a rua.

O promotor paraguaio responsável pelo caso, Marco Amarilla, informou ao G1 que apurou que o jornalista vinha sofrendo ameaças. Nos últimos dias, segundo o promotor, Léo Veras estava com medo.

G1 – MS
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