Marina diz que Bolsonaro usa postura antidemocrática ao excluir Governadores do Conselho da Amazônia

A ambientalista, ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora do Acre, Marina Silva (REDE), voltou a criticar o governo Bolsonaro, da qual é oposição, pela forma que o Conselho da Amazônia foi criado e pretende executar as composições. O Conselho é um órgão que estava vinculado ao Ministério do Meio Ambiente desde 1995, porém, passou agora para as mãos do vice-presidente, Hamilton Mourão (PSL) e sem a participação dos governadores do Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Maranhão e Pará.

Segundo Mourão, apesar da exclusão, os governadores, academia e institutos de pesquisa serão ouvidos pelo conselho, cujo objetivo será coordenar e acompanhar a implementação de políticas públicas relacionadas à região.

“A fala do presidente Bolsonaro, mais uma vez, demonstrou seu profundo desconhecimento dos povos indígenas, que são os verdadeiros guardiões da floresta, ao criticar a demarcação de suas terras. Se essa for a visão orientadora do Conselho, já é o prenúncio do seu fracasso (…) Na prática, o governo atesta publicamente a incompetência do atual ministro Ricardo Salles para proteger o principal símbolo do patrimônio natural do Brasil”, disparou Marina.

Sobre a exclusão dos governadores, Marina Silva diz que isso “mostra que o governo continua acreditando em uma postura antidemocrática e autossuficiente para resolver os problemas ambientais complexos. O vice-presidente anuncia que precisa e quer “ouvir estados, municípios, academia, empresariado e entidades dedicadas ao bem comum”, mas as decisões serão todas suas. O que preocupa também é o entendimento do governo, expresso na fala do vice-presidente, de que há uma guerra de informação. E que ano passado, o governo perdeu. Os problemas na Amazônia não são de comunicação. Com o aumento da destruição da floresta amazônica, quem perdeu foram todos os brasileiros”.

E após inúmeros questionamentos, Marina diz que “Não foi por falta de conselho que o Brasil chegou ao ponto perigoso em que hoje se encontra. E se vamos ter agora mais um Conselho, que não seja só de graça”.

Por fim, a ex-ministra acredita que o conselho composto da forma que foi feito vai acelerar o desmatamento  e problemas comuns na Amazônia. “Com a criação do Conselho da Amazônia e a nomeação de um membro do mais alto escalão do governo para presidi-lo, um ganho já é certo: desmatamento, queimadas, grilagem de terras, violência contra os povos tradicionais e ativistas ambientais, falta de recursos para as ações de comando e controle, ausência de comando e orientação quanto ao que precisa ser feito, ações, recursos humanos, financeiros e tecnológicos, espaços qualificados de participação para os diferentes segmentos da sociedade, para o bem ou mal, agora tem um lugar para onde podem ser endereçados por e-mail, mensagem de WhatsApp e telefone, para o excelentíssimo senhor Hamilton Mourão, vice-presidente da República Federativa do Brasil”, concluiu.

O  RIO BRANCO

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