‘Ele estava torturando minha filha e eu não sabia’, desabafa pai de garota morta pelo marido com dois tiros

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Pai de Nicolli Amorim, morta pelo marido com dois tiros, aos 17 anos, domingo (19), em São Gabriel do Oeste, a 140 quilômetros de Campo Grande, Antônio Amorim desabafa: “Ele estava torturando minha filha e eu não sabia.Torturou minha filha até matar, até esperar eu sair e matar minha filha”. Na segunda-feira (20), a Justiça decretou a prisão preventiva de Felippe da Silva Gomes, de 19 anos, que confessou ter matado a esposa.

À polícia, Felippe disse que a arma que usou para matar Nicolli havia sido emprestada pelo pai dela. Ele nega. “Eu não tinha arma, não sei de onde ele inventou isso. Não sabia nem se ele tinha arma dentro de casa”, diz Antônio.

Ainda abalado com a situação, Antônio conta que após a morte da filha mais velha, ele e a família souberam por amigas dela que ela era agredida pelo marido e que ele não aceitava se separar, como a adolescente queria.

“Eu falava sempre pra minha filha: ‘No dia que ele [Felippe] tocar em você, me fala. E ela falava para terceiro, mas não falava pra mim, com medo dele fazer alguma coisa comigo ou eu com ele. Eu jamais iria fazer isso, só queria ver eles felizes, ela bem”, fala o pai.

E na intenção de ver o casal feliz, Antônio ajudou a arrumar emprego para Felippe, deu moradia para ele e a filha e sempre perguntava à filha ‘se estava tudo bem”. Momentos antes de ser morta, o pai, que saía para trabalhar, mais uma vez questionou a filha.

“Fui lá embaixo, vi ele, vi minha filha, cumprimentei ele. Perguntei pra ela estava tudo bem, ela disse que estava, que estava trocando o neném. Perguntei se ele estava bem e ela disse que estava e falei: qualquer coisa me liga pra gente conversar”.

Após o diálogo com Nicolli, Antônio foi trabalhar e ao chegar, teve que voltar para casa. “Cheguei no trabalho e fiquei sabendo da notícia que ele tinha feito uma tragédia com minha filha. Eu voltei e vi ela estirada no chão. Isso pra mim tem sido uma dor muito grande”.

Prisão

Após matar Nicolli, Felippe contou para o próprio pai e este o orientou a se entregar. Ele bateu à porta da delegacia de Polícia Civil, depois saiu e acabou localizado minutos depois. Foi aí que os policiais souberam do crime e foram até o local.

Na casa, se depararam com a vítima sendo socorrida pelo pai para o hospital. Mas ela não resistiu e morreu antes de chegar na unidade de saúde. No momento do crime, o filho do casal, de apenas 2 meses, estava na residência. Ele não foi atingido.

“Vou cuidar dele igual cuidava dela. é um filho pra mim agora, o filho homem que eu nunca tive. Tá muito ruim, ta muito triste pra mim sem ela”.

Motivação

Felippe disse à polícia que matou a esposa após uma discussão sobre traição por parte dela. A família dela nega qualquer relacionamento extraconjugal de Nicolli e diz ainda que ela queria se separar mas ele não aceitava.

“Ela já estava falando que ele iria sair de casa. Estava feliz. Ele não aceitava a separação”, conta Antônio. Ao pai, Felippe já havia comentado sobre uma possível separação de Nicolli.

G1 – MS

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