Crianças com câncer têm tratamento suspenso após saída de oncologista de hospital em Manaus, denunciam famílias

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Pacientes do Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas, a Fundação Cecon, seis crianças tiveram seus procedimentos médicos suspensos após a saída da única médica oncopediatra do Hospital. Outros 23 pacientes tiveram procedimentos remarcados. A especialista pediu exoneração no início de janeiro e, segundo as famílias, desde então, os tratamentos pararam.

O choro da pequena Laysa, de um ano e dois meses, vem de um dos leitos da Fundação Cecon. A mãe tenta aliviar as dores da menina, que tem câncer no pulmão e está internada há dois meses. Na cama ao lado, a Maria Júlia, de três anos, também sofre com a mesma doença. As famílias dizem que, mesmo internadas, o tratamento das crianças ainda não começou.

“Ela está num estágio que ela realmente precisa fazer o tratamento. O que aconteceu é que a médica responsável dela, a oncologista, saiu, e aí ela ficou sem médico especialista na área. Já era pra ter começado a quimioterapia, mas até agora, nada”, disse a tia de Maria Jília, Janaele de Cássia Botelho Fuziel.

Crianças com câncer têm tratamento suspenso em Manaus — Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Crianças com câncer têm tratamento suspenso em Manaus — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Segundo o tio de Laysa, Jony Carin dos Santos, enquanto permanece internada na Fundação Cecon, ela ameniza as dores que sente com o uso de soro e dipirona.

“O diagnóstico foi que ela tá com câncer na região do abdômen e que hoje a gente recebeu um diagnóstico do médico que foi lá que os órgãos da minha sobrinha já não têm mais jeito. A doença já tomou conta e tá tomando conta dos ossos dela também”, comenta o tio.

Eles falaram que não tem mais o que fazer por ela. Praticamente já escreveram a sentença da minha sobrinha”

Maria Júlia está internada há quase um mês na Fundação Cecon, segundo a família. Sem tratamento no Hospital com a saída da médica, ela conseguiu uma vaga em um hospital, em Belém, no Pará. Apesar de ter conseguido a vaga, os parentes informaram que a Secretaria de Saúde do Amazonas disse que não pode fazer o transporte da menina.

“Eu fui na secretaria de saúde eles falaram que não poderiam fazer nada. Que era para a gente procurar nossos direitos e a gente não sabe mais o que fazer, porque, a cada dia que passa, ela fica pior e o caso dela é com urgência. O máximo possível”, lamentou o tio de Maria Júlia.

A FCecon

A Fundação Cecon é um hospital de referência no tratamento de câncer e atende pacientes de toda a Região Norte. O diretor da instituição, Gerson Mourão, nega que houve suspensão de tratamentos e informou que uma médica sem especialização em oncologia está cuidando dos pacientes enquanto uma especialista não é contratada.

“Ela não tem, por exemplo, como passar uma quimioterapia. mas naquele momento não havia essa necessidade. A partir desse momento, vai ser discutido isso. Nós estamos tomando providências”, disse o gestor.

MP acompanha caso

Ao Ministério Público Federal, que investiga a consequência da falta de médicos, a direção do hospital passou outra informação. Segundo a procuradora da república Bruna Menezes, o hospital informou que houve a suspensão pela falta de profissional habilitado para prestar a assistência aos pacientes.

“A interrupção na prestação de serviço, no acompanhamento da doença, significa um retrocesso que a gente não consegue medir. isso pode gerar mortes, isso pode gerar danos irreversíveis”, comentou a porocuradora.

Segundo o secretário de saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias, a Fundação Cecon tem cerca de seis crianças internadas e mais um conjunto de crianças que precisam de pareceres de médicos especialistas. Para os pacientes nesse caso, até metade desse mês de janeiro, o que está sendo feito é: reformulação e agendamento das consultas ambulatoriais.

Ainda conforme o secretário, o Estado tem convocado, com apoio do Hemoam, uma médica especializada a fazer os procedimentos necessários aos pacientes e, a partir de então, continuar o atendimento de todas as crianças.

O secretário Rodrigo Tobias informou que o governo fará o transporte aéreo da paciente Maria Júlia para Belém, no dia 23.

Por meio de nota, a Fundação Cecon informou que em reunião com a Susam e a Fundação uma proposta foi feita na sexta-feira (17), e a médica aceitou ficar e retomar o atendimento aos pacientes, já nesta segunda-feira (20).

Além disso, está sendo alinhada uma parceria com o hospital de Barretos, para reforçar o atendimento, possivelmente com a vinda de um profissional.

“Haverá uma reunião na Cecon para esse alinhamento com um profissional enviado pelo hospital de Barretos. A dificuldade gira em torno da escassez de profissionais dessa área no estado, onde só há três oncopediatras em atividade. Uma é da Fundação Cecon e a a outra do Hemoam”, informou o Estado.

*Por Alexandre Hisayasu, do Grupo Rede Amazônica.

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