Bairro que custou mais de um bilhão de reais vira reduto de bandidos, em Rio Branco

RN7

A morte da dona de casa Rosemilda Oliveira da Silva, de 26 anos, assassinada com três tiros na manhã da última sexta-feira (3), na Rua Vereadora Maria Antônia, na quadra 1 do Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco, fez acender o alerta no sistema de segurança de todo o Estado. Aquela foi a terceira morte seguida no bairro nos três primeiros dias do ano de 2020 e passou a revelar, com bases em números de anos anteriores, que o bairro planejado e construído pelo Governo como modelo de habitação popular para todo o Estado virou o paraíso de assassinos e de outros criminosos.

O bairro localizado na BR-364, sentido Porto Velho, foi construído no governo petista de Tião Viana, com investimento da ordem de R$ 1,2 bilhão, financiados pelo governo federal pelo programa “Minha Casa Minha Vida”, Fundo Nacional de Desenvolvimento de Educação (FNDE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Além de prédios públicos como Centro de Juventude e Esporte, Praças, Mercado Municipal e Escola de Gastronomia, o Conjunto Habitacional Cidade do Povo foi concebido para ser uma espécie de cidade dentro da Capital Rio Branco, o terceiro maior centro urbano do Acre, com uma população de aproximadamente 60 mil pessoas, com 10,5 mil moradias, além de escolas, terminal de transporte, delegacias, creches, unidades de saúde. Seus moradores são, prioritariamente, pessoas que viviam em áreas de riscos, aquelas que poderiam desabar ou sofrer inundações, como os bairros Taquari, Triângulo Novo e Velho, além da área desbarrancada dos bairros da Base e da Rua Rio Grande do Sul, nos bairros Preventório e Aeroporto Velho.

Ocupado por moradores de baixa renda, subempregados ou desempregados, o bairro logo foi tomado por traficantes e outros bandidos das principais facções criminosas com atuação no Acre, o Comando Vermelho e o Bonde dos 13, ligado ao PCC (Primeiro Coando da Capital), de São Paulo. Para ilustrar o caos do lugar, algumas obras inacabadas com prédios pichados, deteriorados, abandonados, matagal, lixo, sujeira, falta de segurança e de outros cuidados do poder público, além da violência, mostram que o bairro Cidade do Povo virou uma espécie de sucursal do inferno no coração de Rio Branco. Um valhacouto numa área de mais de 700 hectares, cenário de total abandono e esquecimento cuja memória só vem à tona com os casos dos assassinatos dos primeiros dias do ano de 2020. Uma terceira pessoa foi assassinada no bairro nas últimas horas mas o caso que mais repercutiu foi o de Rossemilda.

A própria policia divulgou que uma das hipóteses para a motivação de seu homicídio seria a ligação com facções criminosas. Amigos e parentes fizeram questão de desmentir esta versão. Um amigo, que pediu para não ser identificado, disse que quem tinha envolvimento com uma facção, que ele não soube dizer qual, seria um dos irmãos da vítima, que nada tinha a ver com atividades criminosas.

Rosemilda Oliveira da Silva era dançarina e envolvida com atividades culturais, como a Liga de Quadrilhas Juninas, um movimento muito forte em Rio Branco. “Nosso movimento se veste de cores e muitos sorrisos, mas hoje o branco dessa linda noiva alegre, determinada e cheia de sonhos darem lugar ao luto. Que a graça divina possa ser derramada sobre a vida dessa família, dos amigos e parentes que sofrem com a perda, a dor e vazio deixado por aqueles que amamos. Hoje, mais uma estrela vai brilhar no céu, nossos sinceros sentimentos à ‘Junina Explosão Caipira’, quadrilha junina a qual a Rose fazia parte”, escreveram seus amigos da Liga de Quadrilhas ao se despedirem da jovem. Nas festas de Quadrilhas Juninas, ela representava sempre a “A Noiva”.

Sua morte seguiu o padrão das execuções que ocorrem em Rio Branco, segundo contou uma irmã da vítima: dois homens que estavam em uma motocicleta, se aproximaram da casa de Rosemilda, invadiram a residência e efetuaram três disparos, sendo dois tiros na cabeça e um no ombro da mulher. A irmã e a filha de três anos de Rosemilda assistiram toda a ação dos criminosos, que fugiram após efetuarem o crime.

A irmã de Rosemilda disse que não reagiu no momento do ocorrido, e que após a fuga dos bandidos acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas quando os socorristas chegaram, só puderam constatar que a vítima já estava sem vida.

Policiais Militares estiveram no local, colheram informações sobre os criminosos e fizeram buscas na região, mas nenhum suspeito foi preso até o momento. Embora não admitam publicamente, autoridades da área de segurança dizem que Cidade do Povo é uma localidade da cidade que deve ser evitado.

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