Mais de 70 presos ingressaram em universidades em 8 anos

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Com o objetivo de trabalhar a ressocialização de detentos do regime fechado do sistema prisional de Mato Grosso do Sul, desde 2011 são oferecidos cursos de ensino superior. Durante esse período, 71 presos cursaram ou ainda cursam uma faculdade. De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), atualmente no sistema prisional fechado do Estado 33 custodiados cursam o ensino superior e um já está na pós-graduação.

Os cursos são ofertados nas seguintes unidades de Campo Grande: Instituto Penal de Campo Grande (IPCG); Estabelecimento Penal de Segurança Máxima Jair Ferreira de Carvalho (EPJFC); e Centro de Triagem Anizio Lima. Há também cursos nas unidades do interior: Penitenciária de Dois Irmãos do Buriti; Unidade Penal Ricardo Brandão em Ponta Porá; Estabelecimento Penal de Cassilândia (EPCAS); e Estabelecimento Penal de Corumbá.

Os cursos são oferecidos pelo setor de educação à distância de universidades públicas e particulares de dentro e fora do Estado. A maioria dos detentos estudando está em Ponta Porã, ao todo são 20, que cursam Negócios Imobiliários, Gestão comercial, Gestão Ambiental, Administração, Sociologia, Gastronomia, Gestão de Agronegócios, Design de Interiores, Recursos Humanos, Rede de computadores, Pedagogia e Ciências Contábeis.

Outros 11 estão distribuídos entre os três presídios de Campo Grande que tem a oferta. São três em Administração, dois em Processos Gerenciais e Gestão Ambiental, e um em Serviço Social, Técnico em Gestão Comercial, Filosofia e Negócios Imobiliários.

Preso por tráfico em dezembro de 2017, em Campo Grande, um dos detentos que aproveitou a oportunidade para se especializar tem 33 anos e preferiu não se identificar. Durante esse período ele já cursou Marketing e agora está no primeiro semestre de Processos Gerenciais. O detento afirma que quando terminar esse curso, já pensa no próximo que fará. “Quero fazer Administração depois, porque quando sair pretendo abrir um comércio. Se der tempo quero fazer uma pós também”.

O apenado contou que antes de ser preso ele já teve um comércio, em Miranda, uma loja de peças e acessórios de carros por mais de um ano. Agora, os planos são se especializar para voltar a cidade do interior e reabrir o negócio. “Errar é humano, mas persistir no erro é burrice, então não pretendo me envolver com esse tipo de coisa novamente, quero somente cuidar da minha família”, contou o detento, que tem um casal de filhos.

Para viablizar os estudos os presos ou trabalham dentro da sua unidade prisional ou tem os cursos pagos pela família. No caso do personagem acima, ele trabalha no setor administrativo do IPCG.

Sérgio Waldi de Araújo, 32 anos, é outro detento que aproveitou o tempo na prisão para se formar. Antes de ser preso em 2017 ele trabalhava como fotógrafo gastronômico e chegou a fazer Artes Visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em 2009, porém, não chegou a concluir o curso.

“Sempre quis fazer Artes, mas quando cheguei lá percebi que o curso não era o que eu queria. Então eu abandonei”, lembrou. Depois ele conta que ainda iniciou História em outra instituição, entretanto teve que parar novamente, mas porque foi preso.

No IPCG Sérgio está no segundo semestre de Administração e ainda tem mais seis pela frente. Ele também ajuda no desenvolvimento de um projeto de artes com os internos. Condenado há 27 anos, sendo que desse período pelo menos oito serão cumpridos em regime fechado, o projeto de Sérgio para quando sair é voltar a fotografia e concluir o curso de História que começou há cinco anos.

No IPCG os detentos vão até o laboratório para assistir às aulas virtuais uma vez por semana. Eles só podem usar o computador para atividades relacionadas aos estudos, é proibida a navegação em qualquer página que não seja da universidade. Além do conteúdo online, os presos também recebem apostilas, por onde estudam todo o conteúdo repassado pelos professores.

Fecham a lista dos detentos cursando o ensino superior um apenado de Dois Irmãos do Buriti que faz Gestão de Serviços Jurídicos, Notariais e de Registros e outro em Cassilândia que estuda Ciências Contábeis. Já a pós-graduação em Direito Ambiental e Sustentabilidade é feita em Corumbá.

Durante esse período, em torno de 33 custodiados se formaram nas unidades penais do Estado. Outros cinco iniciaram no presídio e terminaram fora dele.

C.E

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