Cirurgiões paralisam atividades em Manaus e protestam no Pronto-Socorro 28 de Agosto

Médicos cirurgiões paralisaram os trabalhos em unidades da rede de saúde estadual em Manaus na noite desta segunda-feira (13). A categoria reivindica o pagamento de salários atrasados e deu início a um protesto às 19h, durante a troca de plantão de médicos no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto.

O autônomo Eder Lima de 32 anos, informou que enquanto aguardava por atendimento as enfermeiras avisaram que os cirurgiões paralisariam as atividades às 19h.

“Eles só estão atendendo emergência. Mas falaram que cirurgia não. Teve um idoso que chegou precisando de cirurgia e mandaram ele ir pro Hospital Platão Araújo ou João Lúcio”, disse.

A acompanhante de um paciente, Gerlane Silva de 28 anos, presenciou duas vítimas de acidente de trânsito terem o atendimento negado no Pronto Socorro 28 de Agosto.

“Dois chegaram com fratura exposta na perna e ensanguentados. Os funcionários da porta mesmo gritaram que ‘não tinha médico atendendo’ e mandaram ir pro João Lúcio”, disse a jovem.

Ela aguardava o atendimento ao marido por mais de 3 horas. “Meu marido queimou o olho direito na solda e até agora não conseguiu atendimento. Não me deixaram entrar para acompanhar ele que não ta conseguindo enxergar. Os guardas na porta só nos tratam com ignorância”, denunciou.

Em nota, o Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (Icea) afirmou que novas paralisações devem acontecer em Serviços de Pronto Atendimento (SPAs) na manhã desta terça-feira (14).

“Os médicos ainda não receberam os pagamentos devidos pelo governo referentes aos meses Outubro/18, Novembro/18 e março/19 apesar de toda a documentação solicitada pelo governo ter sido enviada muito antes dos prazos determinados que o governo julgava ser suficientes para que cumprissem com o acordado, de acordo com o cronograma elaborado pelo próprio próprio Governo do Estado”, diz o Icea em trecho da nota.

O que diz a Susam?

A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) emitiu nota sobre a situação. No comunicado, o governo afirma que o Icea não teve diálogo antes de paralisar os serviços. A Susam diz, ainda, que os servidores têm “recebido com regularidade”. Leia na íntegra:

“A Susam lamenta a decisão do Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (Icea) de paralisar, sem diálogo prévio, serviços de cirurgia na rede estadual, colocando em risco a saúde dos cidadãos amazonenses, sem motivação legítima, pois os mesmos têm recebido com regularidade e conforme a Lei. A empresa inclusive deixou de comparecer à reunião agendada pelo próprio Icea na última quarta-feira.

Somente este ano, o Icea recebeu mais de R$ 16,8 milhões, desde janeiro, dos quais R$ 8,7 milhões de dívida de exercícios anteriores, estando pendente o mês de março onde o processo de pagamento está em fase de execução.

Dois motivos contribuíram para que o pagamento ainda não tenha ocorrido, o primeiro por pendência de documentação pela própria empresa, que atrasou o processo de aptidão da Programação de Pagamento (PD); e, posteriormente, por falta de fluxo financeiro, devido à queda na arrecadação do Estado.

Dessa forma, foi necessário fazer uma mudança na fonte e o pagamento deverá estar apto nesta terça-feira, para ser pago em, no máximo dois dias.

A Susam considera que a decisão de paralisar serviço é precipitada e irregular, portanto irá contestar nas instâncias legais, caso a mesma se mantenha. Lembra que, conforme estabelecido em lei, o prazo de desembolso de pagamento é de 30 dias, após protocolo do processo de pagamento, desde que não haja inconsistências no mesmo, o que não foi o caso da empresa”.

G1-AM

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