Brics defendem estreitamento de cooperação com países da África

Os líderes do bloco de potências emergentes dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) defenderam o estreitamento da cooperação em áreas como comércio, paz e segurança, além do desenvolvimento de infraestruturas.

No terceiro e último dia da 10ª Cúpula do bloco em Johanesburgo, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, inaugurou uma sessão de trabalho da iniciativa “Brics Adicional”, projetada para promover e reforçar as relações entre países emergentes.

Mais de 15 líderes africanos participaram do ato, no Centro de Conferências de Sandton, no distrito financeiro da cidade sul-africana, entre eles os de Angola, Zimbábue, Ruanda e Uganda.

Ramaphosa, cujo país é observador da África dentro do grupo, afirmou que esse fórum de diálogo “procura construir uma parceria mais inclusiva entre os líderes dos países dos Brics e os líderes escolhidos das instituições africanas”.

O presidente da China, Xi Jinping, cujo país é a segunda maior potência econômica do mundo e o maior parceiro comercial da África, defendeu uma “expansão do Brics Adicional a outros países emergentes e em desenvolvimento”, como os do continente africano.

“Devemos expandir a cooperação”, ressaltou Xi, que, antes de chegar à África do Sul para participar da cúpula, fez paradas em Senegal e Ruanda, onde se reuniu com os respectivos chefes de Governo e assinou acordos bilaterais.

O presidente Michel Temer afirmou que o bloco dos Brics “pode e deve ser aliado do desenvolvimento da África”.

“Queremos que a agenda dos Brics para a África seja tão intensa como intenso é o vínculo histórico e afetivo do Brasil com este continente”, afirmou o presidente brasileiro durante seu discurso.

Temer explicou que a parceria dos Brics pode ser financeira e enumerou vários projetos que já acontecem no campo de infraestruturas e saúde.

Temer também insistiu em que a cooperação não necessariamente deve estar ligada ao campo econômico, mas mostrou a disposição do bloco a ajudar no terreno da paz e da segurança.

Em um tom similar se expressou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ao apontar que “a África é um dos lugares para fazer negócios mais vibrantes do mundo”.

Putin vê uma grande potencial e várias oportunidades na África porque, “segundo os prognósticos, o continente africano terá mais de 2,5 bilhões de pessoas antes da década de 2050”.

“A Rússia está interessada em aumentar a cooperação com a África”, acrescentou o líder russo, ao detalhar que seu país já faz negócios com a região em setores como agricultura ou saúde.

Também falou sobre a ideia de estreitar laços com a África o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, dizendo que as relações do seu país com o continente “foram históricas e profundas”.

“Todo ano, mais de 8.000 africanos obtêm bolsas de estudos de estudo na Índia”, acrescentou Modi.

Entre os discursos dos líderes africanos se destacou a do presidente de Ruanda, Paul Kagame, chefe de turno da União Africana (UA), que afirmou que existe “uma convergência de interesses entre a África e os Brics”.

Kagame ressaltou que o continente e as potências do bloco podem colaborar em setores-chave como infraestruturas, industrialização, paz e segurança.

“Para tentar chegar a essa meta, é preciso um mecanismo para fechar acordos em diferentes áreas”, destacou o chefe de Estado ruandês.

Atualmente, o continente está impulsionando o Tratado de Livre-Comércio Africano (AfCFTA), que quer criar a maior zona de livre-comércio desde a fundação da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 1995.

A África do Sul, como presidente rotatória do bloco e anfitriã da cúpula, quis dar destaque ao continente ao escolher como lema: “Os Brics na África: Parceria para um crescimento inclusivo e uma prosperidade compartilhada na quarta revolução industrial”.

EFE

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