Segurança do governador e 3 oficiais da PM estão entre os presos em operação contra corrupção em MS

Um dos 21 policiais militares presos nesta quarta-feira na operação que investiga corrupção na PM de MS é o segundo sargento da Polícia Militar, Ricardo Campos Figueiredo que trabalhava como motorista e segurança do governador desde o início do mandato. Ele não tinha mandado de prisão, mas sim busca e apreensão de celulares. Quando os policiais chegaram à casa dele, Ricardo se trancou no banheiro e destruiu os dois aparelhos que tinha. Por isso, foi preso por obstrução à justiça.

Desde 2015 ele foi promovido 2 vezes, o que garantiu um aumento que quadruplicou seu salário, que foi de R$4 mil para R$16 mil por mês de acordo com o Portal da Transparência. Na primeira promoção, ainda em 2015, teve parecer contrário do conselho especial da PM, mas uma decisão do próprio governador contrariou o conselho e Ricardo passou de cabo para terceiro sargento.

A segunda promoção foi no ano passado, publicada no Diário Oficial do Estado. As justificativas das duas promoções foram “Atos de Bravura”. Em 05 de abril deste ano, o Comando Geral da PM julgou 9 punições dadas a Ricardo nos últimos anos. De acordo com os processos, 4 punições eram de repreensão, outras duas eram para detenção de 3 dias. Em 3 processos ele deveria ter sido preso, mas as 9 punições foram canceladas no mesmo dia.

Outros 3 oficiais estão na lista de presos

O comandante do Batalhão de Jardim, Admilson Cristaldo Barbosa e o comandante do Batalhão de Bonito, Luciano Espíndola da Silva, estão entre os oficiais presos. Oscar Leite Ribeiro era sub-comandante, subordinado de Admilson e chefiava a companhia em Bela Vista na fronteira com o Paraguai. A Operação Oiketicus cumpriu mandados em Campo Grande e mais 15 cidades do interior.

Operação prendeu 21 PMs nesta quarta-feira (16) por organização criminosa. (Foto: TV Morena/Reprodução)
Operação prendeu 21 PMs nesta quarta-feira (16) por organização criminosa. (Foto: TV Morena/Reprodução)

Além dos 3 oficiais, 21 PMS também foram presos. A operação investiga uma organização criminosa dentro da PM de Mato Grosso do Sul que facilitava o contrabando de cigarros.
São eles:

Anderson Gonçalves de Souza
Angelucio Recaldi Paniagua
Aparecido Cristiano Fialho
Claudiomiro de Goez Souza
Clayton de Azevedo
Elvio Barbosa Romeiro
Everaldo Marques da Silva
Ivan da Silva
Ivan Edemilson Cabanhe
Jhondnei Aguilera
Lisberto Sebastião de Lima
Marcelo de Souza Lopes
Nazario da Silva
Nestor Bogado Filho
Nilson Procedônio Espindola
Ricardo Campos de Figueiredo
Roni Lima Rios
Valdson Gomes de Pinho

De acordo com a investigação da corregedoria da PM e do Gaeco, os 3 oficiais mudavam as patrulhas de lugar quando os caminhões de cigarro iam passar pela região para evitar que fossem fiscalizadas, ou escalavam policiais que faziam parte do esquema de corrupção.

O que diz o governador

A assessoria do governador Reinaldo Azambuja informou em nota que as promoções estão dentro da lei e que o reconhecimento aos atos de bravura foram recomendados pelo secretário de justiça na época. Informou ainda que o segundo sargento é membro de uma equipe de 54 seguranças e que trabalhava em escala de plantão. Finalizando, informa que o cancelamento da punição é um direito de todo PM e que o processo foi julgado pela Corregedoria.

Já a Secretaria de Justiça e Segurança Pública informou que os comandantes de Bonito, Jardim e Bela Vista foram exonerados. Sobre Ricardo Campos Figueiredo, a corregedoria abriu um inquérito policial militar, que deve ser concluído em 10 dias.

Não conseguimos contato com as defesas dos policiais presos.

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