Colunista: Esquema mais amplo “Politica Acreana”

O que antes se pensava tratar de uma briga paroquial – envolvendo o atual prefeito de Cruzeiro do Sul, Ilderlei Cordeiro (PP), e seu antecessor, Vagner Sales (MDB), orquestrada pelo senador Gladson Cameli (PP), na tentativa de enfraquecer politicamente este último para, assim, poder mandar sozinho no Juruá –, acabou por ser revelar um esquema bem mais amplo e engenhoso.

Vazamento

Tal conclusão se pôde inferir a partir do que disse o professor Carlos Coelho em uma gravação que vazou do aplicativo WhatsApp.

Colateral

Dirigindo-se a um dos supostos coordenadores da futura campanha de Gladson ao governo, Coelho tratou de alertar que ‘o salto alto’ da cúpula do PP, que age como se já tivesse vencido a eleição. O fato, segundo esclareceu o emissor, pode ter efeitos colaterais devastadores para a campanha do senador ao Palácio Rio Branco.

Delonga

O alerta de Coelho diz respeito à demora do PP em definir as chapas para deputado estadual e federal com o PSD de Sérgio Petecão e o PMDB de Flaviano Melo e Marcio Bittar.

Elementar, caro Watson

Tal manobra, se supõe, vem a compor o plano do senador Cameli em desidratar ao máximo os aliados políticos, para, assim, reinar sozinho em caso de vitória nas eleições para o governo.

Metáfora gastronômica

Velho combatente de muitas outras campanhas, Carlos Coelho avisa que eleição não se ganha de véspera. E usa a metáfora de que a turma de Cameli está “comendo sardinha e arrotando camarão” – numa referência ao ‘clima de já ganhou’.

Além das aparências

A figura de linguagem usada por Coelho vai ao cerne da questão, mas carece de uma análise mais acurada no que diz respeito ao que existe por trás desse comportamento presunçoso.

Urdidura

Ocorre que não se trata apenas de arrogância por parte do senador e seus apoiadores, mas de uma estratégia bem urdida iniciada lá atrás, que culminou com o rompimento definitivo entre Ilderlei e Vagner Sales.

Erros de perspectiva

Enganaram-se, portanto, aqueles que acharam que Cameli se mantinha longe da disputa entre o prefeito e seu antecessor por não querer tomar partido de nenhum dos dois. E o equívoco se estende também àqueles – entre os quais o titular desta coluna –, que vislumbraram por trás da pachorra do senador em relação ao assunto apenas a parte do plano em que ele haveria de assistir ao definhamento político dos Sales.

Ladino

O áudio de Carlos Coelho, que revela o corpo mole do pepista em resolver a demanda do PSD e MDB, no que diz respeito à formação de chapas proporcionais, nos leva a concluir que o plano do senador era bem maior e mais ardiloso do que pensávamos.

Reinado absoluto

Consiste, pois, no seguinte, a tramoia de Gladson Cameli: negar aos aliados a composição que certamente lhes fortaleceria num suposto governo seu, a fim de que, enfraquecidos, não possam vir a ter musculatura para reivindicar grandes espaços em hipotética gestão por ele comandada.

Menino sabido!

Perdeu a aposta, portanto, quem apostou todas as fichas na ingenuidade do senador do PP. O conjunto dos fatos aponta para a sua grande e maquiavélica sagacidade – que vai além da experiência política das velhas raposas do MDB e da capacidade de compreensão dos fatos por parte e Petecão.

Fim da trégua

O ex-prefeito de Acrelândia Tião Bocalom (Patriotas) foi à rede social Facebook para anunciar o fim do ‘armistício’ entre os pré-candidatos oposicionistas Coronel Ulysses Araújo (PSL) e o senador Gladson, ambos postulantes ao governo do Acre.

A chapa esquentou

“Em manifestações públicas de seu próprio punho, na manhã desta quarta-feira, 16 de maio, Ulysses acaba de detonar, mesmo sem citar nomes, Gladson Cameli e todo o seu grupo dizendo que eles não têm projeto e dão continuidade “à velha prática de atacar (no meu caso) sem justificativa alguma”, escreveu Bocalom.

Fake

Uma montagem na qual aparecem Ulysses, Bocalom e o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), tendo ao fundo uma bandeira do Partido dos Trabalhadores, foi o estopim para a implosão do acordo tácito entre os dois grupos de não se atacarem durante a campanha eleitoral.

Arenga

A imagem é atribuída por Ulysses ao grupo de Gladson Cameli, e teria sido motivada pelo crescimento do nome de Ulysses, segundo o ex-prefeito.

Rompendo a polarização

Dirigindo-se ao coronel da PM em sua postagem, Bocalom diz que hoje ele “espanta [os adversários políticos do grupo de Cameli] com os números que a população o dá, ultrapassando a casa dos 2 dígitos, lembrando que há 8 meses você tinha zero. Você está quebrando a tão falada polarização, e com isto assusta aos dois grupos que querem apenas trocarem de lugar”.

Sentença

A propósito de Bocalom, ele foi condenado pela juíza Zenice Mota Cardoso, da 1ª Vara Cível da Comarca de Rio Branco, a indenizar o governador Tião Viana por danos morais.

Reparação da honra

Valores mantidos em duas contas bancárias do ex-prefeito de Acrelândia, que somadas chegam ao total de pouco mais de R$ 3,7 mil, foram bloqueados por determinação da magistrada, a fim de que sejam usados na reparação à honra do governador do Estado.

Visita de cortesia

Em visita ontem, 16, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), a prefeita Socorro Neri (PSB) apresentou ao presidente do órgão, Valmir Ribeiro, a nova diretoria da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco (Emurb), composta por Marco Antonio Rodrigues (presidente), Humberto Hadad (diretor técnico) e Carlos Calado (diretor administrativo). Socorro Neri ressaltou que pela primeira vez na história da empresa a cúpula gerencial da Emurb é composta exclusivamente por servidores de carreira.

Fonte: Pagina 20

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